Dicas de palco.

Fala galera, bele?

Gostaríamos de apresentar a nova seção do blog! Comandada por nosso novo colaborador, Guto Vighi.  Ele irá falar sobre assunto relativos a vida na estrada, ou mais precisamente em cima do palco. Então se você faz parte deste mundo a parte senta ai e lê.

Guto Vighi. A partir de agora vou começar a escrever posts periódicos com o marcador “dicas de palco” visando ajudar e passar um pouco da experiência e dos perrengues os quais encontrei e venho encontrando nos palcos por aí.

Espero que ajude aos menos rodados com algumas informações úteis que fui adquirindo ao longo desses 20 anos de estrada e mil e tra lá lá shows e também nos 10 últimos anos nos quais  venho participando ativamente de alguns fóruns de guitarra na internet e aprendendo diariamente.

Dicas de palco.

Um assunto que gostaria de abordar primeiro é o “ampli e o palco” a intenção não é falar qual modelo ou marca de amplificador recomendado, exitem uma infinidade de modelos e marcas que mais se adequarão ao seu  tipo de som, forma com a qual usa efeitos e gosto por timbre, mas existem algumas informações que podem facilitar um pouco a vida na hora da escolha e algumas saídas nas situações de palco que encontrarão por aí, nesse caso posso passar algumas dicas que me ajudam bastante.

Existem umas 3 ou 4 situações distintas básicas de palco mais comuns de se encontrar por aí, vou abordá-las dando algumas dicas que podem ajudar a enfrentá-las da melhor forma possível.

A primeira situação, bem comum na noite, é nas casas de pequeno ou médio porte com pouca estrutura de P.A., a casa onde a maioria de nós começa tocando, bastante comum no circuito, e seja num evento ou show vira e mexe nos deparamos numa situação dessas.

Normalmente a microfonação é só pra voz no máximo um bumbo e caixa improvisado.

Para mim é uma das mais complicadas de se ter um bom resultado, pois o amplificador além de funcionar como retorno para você e a banda no palco, ainda vai ter que funcionar como PA.

Isso implica em ter de tocar num volume acima do necessário no palco para que o público ouça a guitarra.

Nessa situação uma boa dica é ter o amplificador voltado para frente, ou para a platéia pelo menos parcialmente, e de preferência não ele mirado direto ao seu ouvido, pois como ele precisará estar mais alto, você provavelmente ouvirá guitarra de mais  e perderá referência do resto da banda.

Essa situação tem uma pegadinha a qual devemos dar atenção, se o ampli for posicionado no chão atrás de você, seus ouvidos não estarão direcionados ao falante, estarão fora da linha deles, o resultado é que você ouve um som muito mais velado do que o que está saindo do amplificador,  e o que ocorre frequentemente é que exageramos no agudo para compensar isso.

Porém devemos lembrar que o amplificador está voltado de frente  ao público, e frequentemente a guitarra vai tender a soar “abelhuda” ou com agudos excessivos.

As dicas para tentar contornar isso são, se usar o amplificador no chão, experimente incliná-lo um pouco, para aproximar um pouco a linha de ação aos seus ouvidos, e tirar um pouco da linha do público, para isso você pode instalar tilt back legs nele, ainda pode usa-lo num pedestal ou na famosa cadeira,  subindo ele, deixando reto acima da altura da sua cintura obtendo um resultado similar.

Ainda ouvi gente sugerindo uma outra opção que é bloquear a saída do falante, colocar um cd colado a tela do ampli na direção do centro do falante  que corta  esse excesso de agudos. Não cheguei a testar na prática mas pra quem não abre mão do ampli no chão virado pra frente vale a tentativa. Prefiro trabalhar com ele elevado ou inclinado.

Nessas situações o ideal é ter um cabo da guitarra comprido, e durante a passagem tentar ir em direção da platéia e ouvir como está vindo o som da banda como um todo, como não há técnico e obrigação da banda tentar gerar um resultado sonoro agradável.

Lembrando que normalmente nesses casos não há microfonação de bateria ou apenas parcial, então o resto da banda deve acertar o volume em relação ao volume da batera.

Com relação a amplificador nesse caso é interessante ter algo com uma certa reserva de potência pois ele terá de dar conta não só do palco mas do som que vai ao  público, na minha experiência, com valvulados por exemplo se precisar de som limpo numa situação dessas, pelo menos 30W.

Amplis de menor potência já terão de trabalhar saturados, você vai perder o som limpo e também não terá uma reserva de volume pra solos por exemplo.

Uma outra coisa que também pode ajudar nesse caso é manter o amplificador mais ao fundo do palco para que ele também sirva de monitoração para a banda.  Como nessa situação os amplis costumam estar mais altos do que o volume necessário pra palco, a monitoração para a banda geralmente não é problema (é mais fácil o amplificador estar alto demais do que muito baixo).

A segunda situação seria onde o amplificador é microfonado, mas a casa não tem grande estrutura de monitoração de palco.  Nesse caso a intenção é que o volume e posição do amplificador sejam bons para a sua monitoração e para a referência do resto da banda, mas que o som para o público seja responsabilidade do técnico de som.

Nessa situação  eu acho interessante utilizar o amplificador voltado diretamente ao seu ouvido, seja no chão inclinado ou seja num suporte também inclinado,  dessa forma você timbra o som final do ampli de uma forma mais real, próxima da qual o microfone vai estar captando.

Vale lembrar que o amplificador vai responder de forma diferente estando no chão ou em um suporte, normalmente no chão ele terá mais graves, no alto menos, algo que pode ser compensado ao seu gosto na equalização do próprio.

Se o palco não for grande não é necessária grande potência, já cheguei a fazer shows com amplis de 15W em situações como essa em palcos pequenos, mas o volume limpo ainda fica próximo ao limite ainda mais se o baterista tiver mão pesada.

Se os palcos forem maiores aí é indicado um aparelho de maior potência que consiga cobrir o palco,  nessas situações várias vezes eu uso o amplificador de lado, voltado mais para mim e para o resto da banda.

Se você costuma tocar nesse tipo de situação itens que ajudam ter no seu set  são: alguma forma de ter o ampli inclinado ou sempre na mesma posição, sem depender de paredes cadeiras etc, para quem prefere amplificadores  fora do chão exitem suportes específicos,  para quem prefere amplificadores no chão existem as tilt back legs, similares as dos fender twin  reverb.

Eu usei pedestal por muitos anos, ainda uso em determinadas situações, mas para diminuir um volume no equipamento a ser carregado passei paras tilt legs, como as importadas existem em poucos tamanhos e são caras por aqui desenvolvi alguns protótipos e coloquei em produção na minha “marca”, a GuV handmade, venho usando essas tilt legs nos meus gabinetes 1×12 e 4×10 com ótimos resultados,  e elas estão disponíveis para venda, mais informações visitem o link  http://guvhandmade.blogspot.com.br/p/tilt-legs.html

O segundo item que ajuda ter no set é um microfone e uma forma de prendê-lo ao amplificador, um  sm-57 (Shure)  ou algo similar é um ótimo investimento e vai funcionar bem ao vivo, existem cópias mais baratas que também resolvem.

O  pedestal de microfone já tem uma pegadinha, se usar o ampli no chão com a tilt leg no geral pedestais normais não vão alcançar o falante, aí o técnico vai querer fazer o famoso sino, dar uma volta na alça do ampli e pendurar ele há 90 graus do falante,  para contornar isso que não funciona bem,  eu tenho um pedestal de microfone para caixa de bateria que é prezo ao próprio gabinete,  e resolve essa situação, além de ser compacto e caber no bolso externo do bag de guitarra.

Dicas de palco

Essa foto ilustra algumas coisas citadas, a caixa de baixo é uma 1×12 no chão com tilt legs, já proporcionando um ângulo  praticamente direto para monitoração da posição de onde a foto foi tirada, o amplificador acima, está num pedestal de amplificadores, suspenso do chão menos inclinado mas proporcional para a monitoração da mesma posição.  O microfone da foto é uma cópia de sm-57 e está preso ao gabinete usando o pedestal para caixa de bateria, que é preso no próprio gabinete, e ainda proporciona ajustes de angulação em relação ao falante.

A respeito ainda do microfone vale um comentário extra, muda-se muito o resultado do som que sai no PA dependendo do posicionamento em que ele estiver com relação ao falante do ampli.

Tanto a distância quanto o posicionamento influenciam no som, afastando-se um pouco pega-se mais ambiência no som, porém mais vazamento dos outros instrumentos também.

Tirando ele do centro do falante vai se reduzindo progressivamente os agudos. o ideal é testar numa situação que tenha tempo, novamente com um cabo longo, e observar qual o posicionamento que aproxima mais o som que está ouvindo direto do amplificador do som que está saindo do PA e ter essa posição de base.

Conhecendo o efeito sonoro que essa mudança de posicionamento proporciona,  você consegue mudar a equalização da guitarra no PA no meio do show sem depender do técnico, aproximando ou afastando por exemplo terá um resultado direto do volume da guitarra no PA.

Se o palco for grande novamente falando em valvulados é bom ter pelo menos uns 30W de potência para garantir ser ouvido razoavelmente pela banda.

A terceira situação seria numa casa com amplificador microfonado e um bom sistema de monitoração, essa é a mais fácil de todas, já vi um amplificador transistorizado de 10W ser usado num show para mais de 1000 pessoas, obviamente reforçado nos monitores, “sides”  e P.A. Numa condição dessas da pra trabalhar com o volume confortável do amplificador e reforçar o quanto for necessário nos monitores ou fones tanto para você quanto para o resto da banda.

Se a monitoração for via fone, a passagem de som deve ser mais cuidadosa, para que se equilibrem os volumes do que se está ouvindo no palco e no fone, uma dica é usar o fone em um ouvido só, e deixar o outro aberto, aí compensar no fone só o que for necessário.

Acho que mais ideal que a situação anterior  é só se a banda tiver seu próprio sistema de monitoração e técnico, comum em estruturas de show maiores, nesse caso como a mesa normalmente é digital e própria, tudo já está previamente acertado e “presetado” principalmente toda a monitoração, em alguns casos inclusive não é possível usar amplificador no palco, aí são os 2 fones no ouvido, e ou amplificador microfonado fora do palco ou simuladores, sabendo timbrar ambos trarão ótimos resultados.

Falando um pouco mais dos amplificadores em si, a condição ideal na minha opinião  seria ter um para cada situação, com tamanhos e potências distintas,   na minha opinião valvulados tem certa versatilidade de volume mas não tanta, muito baixo o timbre não vem, muito alto tende a saturar em demasiado e prejudicar o timbre, mesmo se você goste de usar amplificador saturado, não muda muito, pelo contrario, a faixa fica mais estreita pois  o “sweet spot” de saturação é pequeno e vai proporcionar um volume muito específico do aparelho,  portanto o ideal é ver qual a situação comum a se enfrentar e escolher o aparelho que melhor se adeque.

Falando se em realidade aqui no Brasil de quem toca na noite em geral, eu diria que no um amplificador valvulado a partir de 30 – 40W é um equipamento que cobre a maioria das situações citadas aí em cima, caso seja necessário escolher 1 apenas.

Eu transito entre as 3 primeiras situações regularmente com um heads entre 30W e 40W valvulados, e alterno entre 2 caixas, uma 1×12 ou 1×15 para palcos menores e uma 4×10 para palcos maiores e não costumo ter problema de falta de headroom.

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