Parafusado ou colado?

Comment allez-vous?

Hoje falaremos um pouco sobre os dois sistemas de encaixe braço corpo mais utilizados no planeta, braço parafusado vs braço colado. Assunto que sempre gerou discórdia entre os menos aprofundados no assunto. Tentaremos explicar aqui um pouco de como as coisas realmente funcionam.

Bom existe um equívoco comum que muitos guitarristas, ou entusiastas de guitarra, carregam com eles e tal equivoco é feito pólvora para entra numa briga:

bolt-on neck ou braço parafusado = fácil e barato.

Set-in ou braço colado = difícil e caro.

Certamente, se você está tentando fabricar o design mais simples e econômico elétrico-guitarra que vai render um instrumento funcionando, é mais fácil para anexar o braço ao corpo com parafusos.

Mas o que ninguém percebe por ai é que é  muito mais fácil fazer um guitarra com braço colado medíocre do que um instrumento notável com braço parafusado.

Quando bem feito, em ambos os casos, tais diferenças por te levar a mares sonoros completamente diferentes, assim como por te levar a mares muito calmos ou absurdamente arredios quando falamos em manutenção.

Hoje este dois tipos de encaixe do braço no corpo são largamente utilizados por inúmeros fabricantes mas no meio do século passado tínhamos a seguinte situação:

Braço parafusado = fender

Braço colado = todos os outros

Colocar todos ou  “outros” na mesma panela significa colocar junto a marcas consagradas uma monte de outros fabricantes mais “baratinhos” da década de 50, que curiosamente é a época de lançamento da Broadcaster, que foi nada menos do que a primeira guitarra elétrica sólida fabricada em massa tal qual uma da primeiras aparições do braço parafusado.

Mas afinal qual é grande diferença, num é tudo guitarra?

De um modo geral a junção do braço com o corpo afeta a transmissão de vibração entre as peças, corpo e braço. E o resultado disto pode ser ouvido da seguinte forma:

Parafusado =  mais estalado, menos sustain

Colado = mais corpo, mais sustain.

As principais razões para estas diferenças de timbre básicos são que o menor área de  transferência, tem uma transferência de  energia acústica mais lenta, nos sistemas com braço parafusado isto  rende um pouco mais “pop”e ataque as notas tudo isto pelo fato das cordas perderem energia para transpor a área da junção, alem do fato de serem dois corpos oscilantes com comprimentos diferentes, um do braço para o corpo e outro do corpo para o braço.

Enquanto a transferência mais completa de energia através das várias partes da guitarra set-neck produz uma voz mais grossa, mais suculenta, aproveitando melhor a transmissão de vibração entre as peças de madeira.

Muitas vezes se escuta as seguinte afirmações:

– Ahhh então é por isto que as Lespas tem o timbre que tem.

Na verdade não é apenas isto. Temos além disto o fato do corpo e do braço serem feito normalmente na mesma madeira, temos o comprimento de escala e outros coisa pelo meio do caminho. Talvez dai venham a raiva, ou nariz torcido, que muitos tem com as Lespas da época que o braço e o corpo não eram feito na mesma madeira.

– Ahhh mais sustain é bom e braço colocado sempre tem mais sustain e é melhor para timbre.

Isto também depende, muitas vezes sistemas que usam braço colado pode trazer “gordura” demais para o som fazendo com que as notas se tornas mais emboladas, ai não adianta nada conseguir falar por horas se ninguém vai te entender pois sua dicção é ruim.

Levando estas afirmações a frete as guitarras com o sistemas de braço  parafusado ​​enfatizam a definição nota, e uma nitidez e firmeza que contribuem para timbre. É o que costumamos chamar de “twang”.

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parafusado

Sistemas de encaixe com braço parafusado não convencional, similar ao cyberjoint.

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parafusado

Sistemas de encaixe com braço parafusado da Taylor, usando apenas 1 parafuso

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parafusado

Sistemas de encaixe com braço parafusado da Washburn n4

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Por exemplo, enquanto as vibrações oriundas do corpo podem se desenvolver mais lentamente, seu ataque salta para fora do instrumento com menos decoração mais imediatamente audível e todo o restante que molda o timbre acabe sendo definido atrás deste ataque inicial.

Pense no tom pescoço captador Stratocaster. Há profundidade, calor e ressonância em torno dessa nota, mas quando se ouve a nota, há também muita pressão e definição.

Uma boa parte da eficiência, ou a falta de eficiência, da energia transferida tem a ver com a qualidade da pocket, buraco no corpo onde se encaixa o braço, nas guitarras com braço parafusado.

Há fabricantes que acreditam que um pocket bem executado pode conseguir uma melhor acoplamento vibracional, e portanto melhor em grande parte a ressonância.

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parafusado

Neck pocket de algumas guitarras da Fender, chama-se carinhosamente de Mickey mouse pocket, usado para ajustar o braço ao corpo com mais facilidade.

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parafusado

Exemplo de vão no encaixe.

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Alguns dos elementos críticos deste tipo de construção são ajustes mais apertados, ou mais precisos entre braço e pocket, e por muitas vezes, a exclusão de qualquer tipo de acabamento no pocket.

Quando falamos apenas em sistemas com braço colado  o papo pode ir tão longe quanto o fato de não pintar o pocket.

A Gibson por exemplo já usou algumas versão do seu encaixe colado, ou como costumamos chamar tenon.

E ai a discussão sobre qual tem o melhor timbre também existe, afinal existiram guitarras famosas que usavam o encaixa long tenon, tal qual existem guitarra com timbre fantástico que usam o short tenon por exemplo.

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parafusado

Encaixe similar ao usado pelas guitarras da PRS

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parafusado

Comparação de profundidade dos encaixes

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parafusado

Braço colado com sistemas long tenon

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Considerações tonais à parte sistemas com braço parafusado oferecem uma facilidade na hora da manutenção, e isto era a intenção original de Leo Fender,  que muitos músicos e técnicos podem desfrutar.

Pouca angulação no braço? Tudo certo coloque um calço e ta tudo resolvido.

Teu braço fud** depois de uma Kombi passar em cima? Encomenda um novo, faz um novo e ta tudo certo.

Tais trabalhos é claro que podem ser feito em instrumento com braço colado, mas lógico que com mais dificuldade, tempo e custo.

Mais afinal qual escolher agora? Colado ou parafusado?

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Independente de faixa de preço ou marca a regra aqui é deixar os ouvidos aberto e a mão a postos, pois você tem que escolher o instrumento que funcione melhor para sua musica. Esqueça os “ingredientes mágicos” ou qualquer tipo de descrição subjetiva feita para você talvez pagar mais caro e preste atenção no que realmente importa, se aquilo funciona para você.
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