O som e o funcionamento da audição



O som e o funcionamento da audição

 

 

Nossa habilidade de utilizar computadores e DAW’s para alterar as características perceptíveis de um determinado som se baseia não somente no entendimento de como as ondas sonoras funcionam, mas também na maneira como este som é percebido pelo ouvinte.

A relação entre as propriedades físicas do som e a maneira como ele é captado e compreendido pelos seres humanos é um subtópico de um campo de estudo multidisciplinar conhecido como psicoacústica. Como a física do som e os mecanismos de percepção humanos são muito complicados, a relação entre ambos pode se dar de maneira extremamente complexa

som
Visualização simulada da propagação tridimensional de ondas sonoras.

Ondas sonoras se propagam em três dimensões no ar. Portanto, um instrumento como um violão da Loud emite sons ligeiramente diferentes em todas as direções, simultaneamente.

Este padrão de emissão do som ainda interage com objetos próximos e forma um campo sonoro na área de audibilidade.

Como música geralmente é executada em ambientes fechados, as propriedades deste campo sonoro podem ainda ser afetadas pela temperatura, umidade, composição e densidade do ar; o tamanho, formato, textura e composição de paredes, chão e teto; e propriedades similares de qualquer objeto dentro da área de audibilidade.

Além disso, a cada ponto, a pressão do ar varia sutilmente em torno da média atmosférica, o que também afeta a maneira como o som é propagado.

Ao ouvir música, nós literalmente nos banhamos em um campo sonoro altamente complexo.

Nossos ouvidos coletam amostras deste campo em dois pontos separados por menos de 20 centímetros, e o formato irregular de nossas orelhas permite que sejamos capazes de distinguir sons vindo de diferentes direções.

As ondas sonoras viajam através do ar, passam pela orelha, entram pelo canal auditivo e atingem a membrana timpânica, que vibra de maneira semelhante ao som.

Esta gostando? Assine o blog

Uma cadeia de três pequenos ossos – martelo, bigorna e estribo – anexada à membrana timpânica transmite a vibração para outra membrana, esticada através de uma das aberturas do ouvido interno, chamada cóclea.

A cóclea é uma espiral oca e preenchida por fluídos. Em seu centro se encontra a membrana basilar e o órgão de Conti, que possui milhares de células ciliares sensíveis à vibração do fluído.

Quando a cóclea vibra, gera ondas no fluído que são captadas pelos cílios e traduzidas em impulsos elétricos nervosos, subsequentemente enviados ao nosso cérebro e lá interpretados como fala, ruído, música, etc.

 

som
Estrutura do ouvido.

 

 

Para que esta interpretação seja possível, o cérebro precisa ser capaz de distinguir entre as diferentes características físicas do som, as maneiras como o som é captado pelos ouvidos, e também precisa realizar o reconhecimento do som em nível cognitivo.

Como o som se propaga com uma velocidade de aproximadamente 340 m/s, ele sempre chega mais rápido à uma orelha do que à outra, o que causa uma diferença de fase e também de intensidade relativa.

Sons muito agudos (cuja frequência é mais alta e o comprimento de onda é menor) acabam sendo percebidos com intensidade muito menor pelo ouvido localizado na faixa de sombra acústica, causada pela cabeça e orelhas.

Sons muito graves (cuja frequência é mais baixa e o comprimento de onda é maior) sofrem do problema inverso: o grande comprimento de onda faz com que o som seja percebido com diferenças mínimas de fase e intensidade por cada ouvido, o que também dificulta consideravelmente a percepção de direção.

São nas frequências médias que as diferenças de fase e intensidade são mais significativas, e podem ser utilizadas pelo cérebro para reconhecer diferentes sons.

Estes estímulos, aliados à localização visual, nos tornam capazes de discriminar as diferentes fontes sonoras que nos cercam. Se possuíssemos apenas um ouvido ao invés de dois, não seríamos capazes de detectar as nuances da propagação do som e, portanto, não teríamos noção espacial alguma.

– Matheus Manente é músico multi-instrumentista, compositor e trabalha com gravação de áudio desde 2008. Mais informações sobre seu trabalho em http://www.matheusmanente.com/



Matheus Manente

Matheus Manente

Eu sou um músico e compositor brasileiro. Possuo experiência com vários instrumentos musicais (incluindo guitarras de alcance extendido, baixo, bateria, monotron, teclado, ukelele e kalimba). Sou colunista em alguns websites, trabalho com gravação, produção, mixagem e masterização, e possuo experiências com programação e computação musical.Eu já trabalhei como músico freelancer, tocando ao vivo em diversas ocasiões. Também participei de diversos álbums, tendo a oportunidade de atuar ao lado de músicos de diversos estilos e países diferentes. Desenvolvi trilhas sonoras e produzi/gravei várias bandas pequenas em meu home studio, trabalhando com estilos musicais muito diversos e interessantes (Rock, Pop, Folk, Erudita, Eletrônica, etc). Também lecionei aulas práticas e teóricas durante 6 anos em escolas de música da região do ABC (atividade atualmente suspensa).Sou graduado em ciências atmosféricas pela Universidade de São Paulo (USP) e ainda atuo como meteorologista. Desta maneira tive contato com física e matemática e tento também aplicar este conhecimento ao meu trabalho como músico.